O alerta surgiu da estranheza das inquilinas de José Santos. Terão tentado, por diversas vezes, pagar a renda do mês ao senhorio de 84 anos. Perante o silêncio atrás do portão do n.o 37 do Largo de Nevolgilde, no Porto, chamaram as autoridades. O idoso estava morto há dias.
José Santos vivia sozinho na casa que fora construída pelos pais. Conheceram-no sempre assim, só e filho único de "pais ricos", conta Alexandrina Santos, vizinha desde que ele nasceu. Tem 88 anos, viu as casas da família de José crescerem ali, em frente à janela da boutique que teima em manter no topo do largo. "Era uma pessoa muito educada. Coitado, andava já curvadinho". Nunca lhe conheceu mulher e pouco sabe de uma vida que chegou a meter estudos e trabalho, "fora daqui", que é como quem diz, na cidade a que Nevogilde pertence.
Alerta da vizinhança
José vivia no casarão com ares de abandono e cujo portão foi destruído, há tempos, "pela vadiagem", conta Aníbal Torres, taxista habituado à praça fronteira à habitação. Lembra-se de vê-lo a queixar-se do vandalismo. Atrás das grades, um jardim invadido pela natureza e persianas caídas, a contrastar com o esmero das moradias que alugava, segundo Alexandrina.
Alertada pela vizinhança, a polícia chamou os Sapadores do Porto para o levantamento do corpo. José Santos terá falecido há uma semana.
João Brandão, 80 anos, foi anteontem encontrado morto em casa, na Rua Monte de Ramalde, no Porto. Fora visto pela última vez há 15 dias.