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Cursos de Medicina em risco sem Centro Materno-Infantil

Dora Mota, J.N. [2010-09-10]

Directores das três escolas do Norte lembram que valência é nuclear na formação

Os directores dos cursos de Medicina das universidades do Porto e do Minho afirmam que o impasse do Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) vai pôr em causa a formação de médicos. Esta semana, transmitiram esse receio a Rui Rio e à ministra da Saúde.

O director do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar(ICBAS) da Universidade do Porto, António de Sousa Pereira, lamenta duas consequências dos sucessos atrasos do projecto do CMIN. Uma tem a ver com os utentes dos hospitais, outro com aqueles que os tratam.

“O Hospital de Maria Pia tem condições deploráveis que têm que ser rapidamente susbtituídas, assim como a Maternidade de Júlio Dinis. A cidade vai manter as suas grávidas e crianças nestas condições?”, assinalou, ontem, em declarações ao JN.

As condições de atendimento são as mesmas no que diz respeito à formação pré e pós-graduada em Medicina. “É importante que as escolas médicas tenham nos hospitais centrais condições para trabalhar com as valências essenciais à viabilização dos cursos”, assinalou.

Sem o CMIN, o ensino pode estar em risco: “É uma área nuclear, não se consegue fazer um curso de Medicina sem ter a valência materno-infantil”.

Ontem, foi o dia em que decidiu falar da carta que enviou ao presidente da Câmara do Porto, com cópia para conhecimento da ministra Ana Jorge, juntamente com os outros dois directores das escolas médicas da Região Norte –  Agostinho Marques, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e Nuno Sousa,  da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho – apesar da mensagem já ter sido enviada no início da semana.

“Era bom que as autoridades, na hora de decidir, ouvissem os directores das escolas e, por isso, tomamos essa posição”, fundamentou. O que pediram foi que as atenções se voltassem para o facto de o CMIN ser uma solução que responde “de forma rigorosa” às necessidades de cuidados de saúde de crianças, adolescentes e mulheres do Porto e Norte.

E também, conforme exprimem na carta, porque significa uma melhoria nas condições de formação e de investigação em unidades especializadas.

Tornaram pública a posição “por causa das notícias que saíram nos jornais”. Sousa Pereira está convicto que, sem o CMIN, as escolas “terão dificuldade em reornanizar a matriz de ensino”, lembrando que o ICBAS e a FMUP “são as escolas mais requisitadas a nível nacional e com maior relevo na produção científica”. A primeira tem 1200 estudantes de Medicina e a segunda tem inscritos quase 2500 estudantes.

Também ontem, o Bloco de Esquerda pediu ao Ministério da Saúde uma cópia do programa funcional e do projecto de construção do Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN), tal como está actualmente, por haver dúvidas quanto às valências que prevê o actual plano.

O requerimento, assinado pelo deputado João Semedo, explica-se pelas indefinição sentida depois da reunião de representantes do BE com a administração do Centro Hospitalar do Porto sobre a futura localização do serviço de Pediatria do CMIN.

Aquele serviço, que estava no Hospital de Santo António foi transferido para o Hospital de Maria Pia, unidade antiga que funciona com alguma precaridade, para no primeiro hospital serem feitas obras para lá novamente instalar a Pediatria.

“Sucede, no entanto, que as informações disponíveis não confirmam nem garantem que esta instalação se venha a concretizar, sendo até admitido que a Pediatria possa vir a funcionar no edifício do CMIN a construir nos terrenos da Maternidade Júlio Dinis e não no Hospital de Santo António como estava inicialmente previsto”, lê-se no requerimento, ontem entregue ao Ministério da Saúde.

O BE entende que a informação sobre o Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) tem-se centrado apenas “nas questões políticas que estão na origem do sucessivo adiamento da construção”. 

“Não se entende como é possível, nesta fase do processo, persistirem indefinições sobre pontos estruturantes do projecto”, refere o documento entregue ao Governo

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