Na Ribeira já não existe um único bar com pista de dança. Em 14 anos, fecharam 17 bares. A movida mudou-se para outras áreas da cidade e a Zona Histórica do Porto apostou num cliente ansioso por boa comida e uma noite tranquila. Com isso, crescem os hotéis.
Os hotéis não só estão a mudar a vida nocturna da Ribeira como estão a ajudar a Câmara do Porto numa batalha que está longe de ser ganha: a recuperação do edificado. O primeiro foi o Pestana Porto Hotel, em 1997, ocupando oito prédios do quarteirão entre a Rua da Fonte Taurina e o Muro dos Bacalhoeiros. Agora, os seus 50 quartos já não são suficientes para satisfazer uma procura crescente. Recentemente, aquela unidade hoteleira adquiriu mais dois edifícios no mesmo quarteirão. A ampliação já está em marcha.
A poucos metros do Pestana, entre as ruas do Infante D. Henrique e de S. João, está a ser construído outro hotel de quatro estrelas. O Carris Hotel Ribeira vai ocupar cinco edifícios e vai ter 90 quartos. Estará pronto dentro de ano e meio. A estratégia é a mesma do Pestana. Manter as fachadas dos prédios, ligando-os através de três passagens superiores e uma subterrânea, revela o arquitecto responsável pelo projecto.
"Exploramos muito o rio. Por exemplo, alguns dos quartos virados para a Rua do Infante foram transformados em duplex para ir buscar as vistas sobre o Douro", adianta ainda Teixeira Sousa.
Apostado em reflectir a história da Ribeira e do próprio edifício, o Carris Hotel Ribeira tenciona que o hall de entrada seja a sua marca, pela imponência de ocupar três pisos. Outra particularidade do hotel é a incorporação da cozinha no restaurante.
A par dos hotéis, estão a surgir ofertas alternativas como a Guest House Douro. A população aplaude, convencida de que os turistas são menos barulhentos do que aqueles que até agora eram os clientes habituais da Ribeira: portugueses à procura de uma noite animada de copos. A Câmara também vê com bons olhos a mudança que os hotéis estão a trazer à Ribeira, até porque ajudam a recuperar edifícios degradados.
"Ao nível do turismo, estamos mais na fase da regulação do que do incentivo. Falta é a ganhar a batalha da habitação", admite Vladimiro Feliz. Apesar disso, o vereador crê que "a Baixa vai ser o espaço para se viver nos próximos 10 anos", sobretudo para jovens e casais em início de vida.
Reconhecendo que os hotéis são uma alavanca para a recuperação do Centro Histórico, Vladimiro Feliz coloca um travão, quanto à Ribeira: "Serão sempre soluções turísticas de nicho, mais voltadas para a oferta de qualidade ou de mercados alternativos"