xxx147 Porto XXI - Cultura
Home

Sexshop Ousadias

Estado do Tempo C

Pouco Nublado

02 Mar - 23:00

Tempo

Mapa

Jornal

Farmácias

Empresas

Onde Comer

Noite

Classificados

Contactos

Pesquisar

Porto XXI
Takitudo

Ficha de Rua

Rua de D. Manuel II

Rua

Poucos anos após o levantamento do cerco miguelista, mais precisamente em 1838, a Câmara do Porto, evocando a vitória liberal, determinou que a Rua dos Quartéis, hoje de D. Manuel II, passasse a ostentar a designação de Rua do Triunfo. O topónimo então despromovido - Rua dos Quartéis - tivera origem num conjunto de edifícios destinados a aquartelamento militar que ali haviam sido erguidos pelos finais do século XVII.

À excepção de um portal de granito - cujo estilo tem fundamentado a presunção de que a obra remonta ao século XVII -, pouco resta destes primitivos quartéis, substituídos pelo actual edifício da Reitoria da Universidade do Porto, onde esteve sediado, desde o início de Oitocentos, o Regimento de Infantaria 6.

Nos anos que antecederam o Cerco do Porto, de 1829 a meados de 1832, o governo miguelista instalou aqui o Regimento de Infantaria 19, depois novamente substituído pelo anterior, que só veio a ceder o edifício, já neste século, ao Batalhão de Metralhadoras 3. Quando se deu o 25 de Abril de 1974, o imóvel acolhia o Centro de Instrução de Condução Auto, ou CICAP, como ficou popularmente conhecido no Verão de 1975, quando esta unidade se aliou ao RASP (Regimento de Artilharia da Serra do Pilar) numa revolta contra o Comando da Região Militar Norte, então assegurado por Pires Veloso.

Alguns meses antes, esta mesma rua servira de cenário a outro episódio marcante do PREC (o célebre Processo Revolucionário Em Curso): no dia 25 de Janeiro de 1975, o 1º. Congresso do CDS, reunido no Pavilhão dos Desportos - entre os convidados, contavam-se vários destacados dirigentes da democracia cristã europeia - foi literalmente cercado por uma multidão de manifestantes, convocados pela extrema-esquerda.

Ainda no capítulo da história recente, merece referência a bizarra alteração toponímica imposta, logo a seguir ao 25 de Abril, a esta Rua de D. Manuel II, que, durante alguns meses, se chamou Rua de... José Estaline. A homenagem ao estadista soviético não foi, como se imaginará, aprovada em vereação da Câmara; os respectivos promotores preferiram dispensar os trâmites burocráticos, tendo optado por pintar o novo nome directamente sobre as placas, ocultando o do último monarca português.

Dando agora um salto de quase dois séculos - para trás, naturalmente -, sirvamo-nos da famosa Planta Redonda de George Balck, editada em 1813, para observarmos esta rua, e respectivas imediações, nesse primeiro quartel do século XIX.

A primeira coisa que salta à vista é a ausência de edifícios do lado esquerdo da rua; do Vilar à embocadura da Rua do Rosário, a única construção que o mapa indica é o já referido quartel. Em direcção às actuais ruas de Alberto Aires de Gouveia - que, por esta altura, se chamava dos Carrancas (ou Carranca, na versão de Balck) - e da Bandeirinha, estendiam-se campos e quintas. E o mesmo cenário rural se prolongava, nas traseiras do edifício militar, até Monchique, já que não fora ainda aberta a Rua da Restauração.

Em sentido oposto, para o lado das ruas do Vilar e de Entre Quintas, rasgava-se o campo, ou largo, da Torre da Marca, rodeado por uma série de quintas, mais tarde, parcialmente sacrificadas à construção do Palácio de Cristal, inaugurado em 1865 com a Exposição Internacional do Porto. As circunstâncias da construção do Palácio de Cristal e da sua posterior demolição são por de mais conhecidas de qualquer portuense, pelo que as ignoraremos neste artigo. De resto, outras ruas poderão servir de pretexto para relembrar o velho Palácio, bem como os motivos que presidiram à construção do seu actual sucessor "atigelado".

Regressando à Torre da Marca, foi esta que deu nome ao dito largo, ao quartel próximo e ao Palácio da Torre da Marca (Paço Episcopal desde 1919), na esquina das ruas de Júlio Dinis e da Boa Nova. Era uma alta torre de cantaria, que servia de baliza de navegação aos mareantes. Construída em 1542, para substituir um pinheiro que, antes, desempenhara idênticas funções, a Torre da Marca foi derrubada, durante o Cerco do Porto, pelo bombardeio das tropas miguelistas.

A evocação da velha Torre da Marca sobrevive, também, no chamadouro popular da Torre de Pedro Sem, que se ergue junto ao Paço Episcopal, ou Palácio dos Brandões, como também é ainda hoje conhecido por ter sido propriedade dos marqueses de Terena.

Na carta de Balck, a já citada Rua da Boa Nova prolonga-se pela da Carvalhosa, que, por sua vez, se estende até ao Largo do Priorado, englobando as actuais ruas da Maternidade, da Boa Hora e de Aníbal Cunha. E em frente ao quartel, do lado oposto da então Rua dos Quartéis, abre-se um caminho sinuoso, correspondendo à rua que foi do Pombal e é agora de Adolfo Casais Monteiro.

Ainda no passeio fronteiro ao Palácio, falta referir o mais importante edifício desta rua: o Palácio dos Carrancas, que hoje alberga o Museu Nacional de Soares dos Reis. Começado a construir em 1795, nunca foi apurada ao certo a razão do nome algo grotesco que o palácio assumiu. Pretendem alguns que a designação decorra do facto de os pais dos seus primeiros proprietários terem habitado a Rua dos Carrancas (depois, da Liberdade e, hoje, como referimos, de Alberto Aires de Gouveia), onde possuíam uma indústria de passamanaria, especializada no fabrico de galões de ouro. Outros acreditam que "Carranca" era a alcunha deste abastado industrial, Luís de Almeida Morais, e que a rua homónima herdou a designação do seu desagradável sobrenome.

A casa foi também conhecida como Paço dos Morais e Castro, já que assim se chamavam os filhos de Luís Almeida Morais e Brites Maria Felizarda de Castro, que herdaram dos progenitores uma considerável fortuna e decidiram empregar parte dela na construção de um luxuoso palácio.

Futuros barões de Nevogilde, os Morais e Castro não olharam a tostões e adornaram o seu palácio com belíssimos jardins e ricas cavalariças. Em frente ao edifício, possuíam ainda um terreno semicircular, hoje cortado pelo muro do Horto de Moreira da Silva; esta meia-laranja destinava-se a evitar que os Morais e Castro se vissem obrigados a impor aos seus cavalos, quando regressassem a casa, manobras apertadas e deselegantes.

Ao longo das primeiras décadas do século XIX, o Palácio dos Carrancas desempenhou papel de relevo e acolheu hóspedes significativos. Por ocasião das invasões francesas, foi primeiro habitado pelo general Soult e, depois, pelos comandantes ingleses Wellesley e Beresford. Durante o Cerco do Porto, D. Pedro IV instalou aqui o seu quartel-general, mas viu-se obrigado a abandonar o palácio por este se encontrar demasiado exposto ao fogo dos miguelistas, aquartelados em Vila Nova de Gaia.

Finalmente, já na segunda metade do século, em 1861, Carlota Rita Borges de Morais e Castro, baronesa de Nevogilde, vendeu o lar dos seus antepassados, por 30 contos de réis, à Casa de Bragança. Após a implantação da República, D. Manuel II exilou-se e o palácio esteve provisoriamente encerrado. O rei deposto ofereceu-o então à Misericórdia, que, por sua vez, o cederia ao Estado, em 1937, para que nele fosse instalado o futuro Museu Nacional de Soares dos Reis, inaugurado cinco anos mais tarde, em 1942.

Indirectamente, deve-se ao Palácio dos Carrancas a atribuição do nome de

D. Manuel II à Rua do Triunfo, já que foi por este o ter cedido graciosamente, bem como pelo facto de o ter habitado quando se deslocava ao Porto, que a autarquia decidiu prestar-lhe esta homenagem toponímica.

TRANSPORTES

Autocarros

Clique >> Mapa da Linha

3

Pr da liberdade

Viso

6

Inst Sup de Engenharia

Bº Stª Luzia

20

Pr. da Liberdade

Pr.da Liberdade

35

Campanhã

Gomes da Costa

37

Pr. Almeida Garrett

Castelo do Queijo

41

Cordoaria

Gatões

52

Pr da Liberdade

Aldoar

78

H.S. João

Castelo do Queijo

93

Cordoaria

Lavadores

 

 

Opções

Sugerir a um amigo

Imprimir Ficha
 Localizar no:

Mapa Interactivo

 

[Adicionar aos Favoritos]    []    [Webmasters- Coloque no seu site]    [Recomende a um amigo]

[CHAT]    [Livro de Visitas]    [Crianças Desaparecidas]    [WebDesign]

Copyright © 1999 PORTOXXI.com - Todos os direitos reservados